Você só vai ao dentista quando dói? 1


Se você é como a maioria, as chances de ir ao dentista somente quando “o sapato aperta” são gigantescas. Eu tenho certeza que ao ler a frase anterior você pensou, pior que é verdade, faz tempo que não vou ao dentista.

Não se preocupe, você não está sozinho, a maioria das pessoas ainda não entendeu a importância da prevenção, neste caso não falo somente da prevenção com a saúde bucal. A maioria de nós deixa para ir ao dentista quando as dores aparecem ou quando encontramos algum problema estético, um dente amarelado, quebrado, etc.

Para ilustrar o assunto, vou contar uma história particular.

Na minha adolescência eu era atormentado pelo apelido de “dentinho”, não preciso dizer o por que, ou preciso?

Diante disso, sonhava com colocar o aparelho ortodôntico, fui a vários ortodontistas, alguns muito caros, outros muito baratos, alguns normais, outros com umas ideias tão malucas que me fizeram acreditar que o ortodontista usava entorpecente antes de atender os pacientes. Diante de tantas pesquisas, de tantas opiniões diferentes, fui procurar a opinião de pessoas que usavam aparelho e terminei optando por um ortodontista indicado por amigos. Fiz a tal documentação, e ele deu a ordem, “que se extraiam dois pré-molares!”, lá fui eu a outro consultório para fazer a extração de dois pré-molares que dariam espaço para a retração dos dentes de coelhinho. Chegando ao consultório me deparei com uma dentista já na terceira idade, com aproximadamente 1,50cm de altura e com grandes necessidades de vitaminas no corpo. Ela me anestesiou, pegou o fórceps e tentou sem sucesso extrair meus dentes, acreditem se quiser, ela me falou as seguintes palavras:

“Menino, que raízes grandes, não estou conseguindo extrair, vou ligar para um colega e pedir ajuda”.

Sentado na cadeira, sem saber se ria ou chorava, esperei sacudindo meus pés e mexendo meus dedos da mão pacientemente até que um dentista também pertencente ao clube da terceira idade chegou, porém este, munido de um porte físico de dar inveja a muito jogador de futebol americano. Sem pestanejar e sem preocupar-se com os últimos pingos de anestesia que ainda restavam no meu organismo, segurou o fórceps e removeu os tais pré-molares, as raízes eram realmente grandes.

Agradecido pela simpatia da senhorinha dentista e pela força do seu colega fui para casa alimentar-me de sopa durante um tempo.

Voltei ao ortodontista e minutos depois sai com um sorriso metálico que só era ofuscado pelas “borrachinhas” vermelhas que contornavam os braquetes.

Já menos dentuço, mudei de estado, vim morar em São Paulo, busquei diversos ortodontistas para continuar o meu tratamento mas todos queriam remover o meu aparelho e colocar outro, alguns criticaram o tratamento que haviam feito, outros não comentaram nada. Comecei a ficar impaciente e terminei optando pela formula mais fácil, deixar para ver isso no futuro.

Andei com o aparelho sem ajustar por quase um ano, até que um dia as dores começaram, primeiro de leve, depois parecia que estava comendo vidro moído. Então, e só então, decidi passar no dentista.

Começamos sem anestesia, mas ao ver que a cárie era tão profunda que quase todo o braço do dentista estava dentro do dente (é obvio que estou exagerando), decidiu anestesiar e me deu a grande notícia, é canal!

Ele resolveu não tratar no mesmo dia, fechou e me pediu para voltar outro dia, nesse tempo entre uma consulta e outra, realizei diversas consultas ao google e ao youtube para me munir de todas as informações possíveis para ensinar ao dentista como realizar o procedimento correto (agora estou tentando ser engraçado). Voltei apavorado ao consultório por que foi unanimidade a opinião sobre o potencial do tratamento de canal como técnica de tortura.

Tremia na cadeira.

Fiz inúmeras sessões até que finalmente, após sofrer muito (não estou brincando nem sendo engraçado agora), o tratamento foi finalizado, quase perdi meu dente por que a cárie tinha corroído muito, era justamente o dente em que ficava a banda do aparelho, consequentemente, muito difícil de escovar.

Após tudo isso jurei a mim mesmo, a Deus, ao síndico do meu prédio, aos meus colegas de trabalho e a todo e qualquer ser humano que eu conhecia, que escovaria os dentes e passaria fio dental com extrema disciplina, que pararia de comer doces e todas as demais promessas que um homem com a boca e o orgulho machucado poderiam fazer.

Até parece!

Anos se passaram e eu ainda não havia feito a coroa do meu dente, dei-me ao trabalho somente de ir ao dentista para mudar de uma resina temporária para uma resina definitiva que, mesmo não sendo esteticamente bonita, impediria a entrada de bactérias, e “pequenos insetos voadores”.

Eu aposto que vocês não adivinham o aconteceu…

Estava voltando de viagem dirigindo, cantando e comendo mentos, engoli um e já coloquei outro na boca, quando mastiguei senti algo diferente (e não era amor), foi então que explorando a arcada dentária com a língua percebi (para o meu desespero) que toda a massa do meu dente havia saído, o que me levou a pensar logo na sequencia que, se ela havia saído, talvez já estivesse solta ou no mínimo com folga nas paredes, o que consequentemente, poderia ter ocasionado uma infiltração.

Munido de um pé pesado e de uma rodovia levemente congestionada, acelerei até a casa da Dra. Jamila (minha esposa) e com um olhar desesperado supliquei por um atendimento VIP. Após os primeiros socorros, marcamos uma consulta mais formal no consultório onde ela finalmente me deu a notícia triste, o seu dente está MUITO cariado, e me fez aquela pergunta constrangedora, como deixou chegar a esse ponto? Tentei responder qualquer coisa, mas fui impedido pelo espelho e o explorador inseridos na minha boca.

Ela analisou, analisou e analisou e pude perceber no seu olhar a mistura de dúvida, dó (do pobre esposo) e indignação. Ela avaliou se o dente teria recuperação ou se lançaria mão do fórceps. Para a minha alegria ela disse, vamos tentar recuperar, vou ter que retratar o canal.

Iniciamos então uma delicada sessão de re-tratamento de canal.

Não preciso nem comentar o desfecho, sorridente, feliz, grato da mulher que Deus colocou na minha vida e orgulhoso dela pelo excelente trabalho, passei a sorrir com muito mais prazer.

Diante de toda esta história que meramente ilustra a trajetória de um único dente eu me pergunto, por que esperamos sempre até o último momento? Uma escovação mais cuidadosa, investir um pouco mais de tempo no fio dental, visitar regularmente o dentista para uma limpeza e avaliação, teriam evitado todo o tempo que tive que dedicar a todo esse tratamento, teriam evitado a dor, os gastos elevados e é claro, a tristeza de ter que sorrir disfarçadamente durante todo o tempo em que meu dente esteve “esteticamente feio”.

Hoje tenho plena consciência de que é muito mais barato e indolor ir ao dentista periodicamente para fazer uma limpeza e avaliação dos dentes e até mesmo para tomar uma chamada de atenção do dentista com relação a aumentar a utilização do fio dental.

Aprendi lições valiosas nessa jornada. Precisamos ter um profissional qualificado e de confiança para cuidar da nossa saúde bucal, a final de contas, um sorriso bonito abre portas, caso duvide, vá com os dentes sujos ou banguela para uma entrevista de emprego e me conte depois o resultado. Vá a um encontro com os dentes amarelados e você voltará para casa frustrado, agora, vá ao mesmo encontro com os dentes limpinhos e branquinhos e com certeza voltará muito feliz.

Não vá a qualquer dentista, não escolha somente pelo preço, busque indicações, busque um profissional que cuide de você e da sua família sempre com todo o profissionalismo possível.

Agora eu lhe pergunto, você vai levantar dessa cadeira e marcar uma avaliação ou vai querer juntar-se a mim no futuro para contar histórias engraçadas e tristes sobre como perdeu os dentes ou sofreu por desleixo?

Ligue agora mesmo para um dos consultórios onde atendemos e peça para marcar uma consulta com a Dra. Jamila Benitez, acredite, prevenção é a melhor escolha sempre.

Um grande abraço e até a próxima.

Leandro Benitez


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