Bruxismo Noturno


Muitas pessoas ficam confusas ao serem diagnosticadas com bruxismo ou, ao ouvirem esse diagnostico sendo dado a outra pessoa, grande parte da população, apesar de muitas vezes ter ouvido essa palavra, desconhece o que ela de fato significa ou, simplesmente relaciona o nome ao fato de apertar os dentes enquanto dorme ou a alguma doença “maligna”, relacionada a algo místico.

O bruxismo (hábito ou “problema”) em nada tem relação com bruxas, bruxaria ou algo do além como normalmente é interpretada pela população geral, o nome na verdade, é derivado da palavra briquismo (do grego βρυχμός [brýkhmós]) que significa “ranger dos dentes” e se pronuncia brucsismo.

Este hábito parafuncional (involuntário) leva o paciente a ranger os dentes de forma rítmica principalmente durante o sono ou, em alguns casos durante o dia. O bruxismo pode ser diagnosticado em pacientes de todas as idades, sexos, raças, geralmente presente em pessoas com elevado nível de stress e/ou problemas emocionais, algo extremamente comum nos dias atuais devido a alta sobrecarga de responsabilidades a qual somos submetidos diariamente.

Cerca de 15% (quinze por cento) da população tem bruxismo e suas consequências vão das mais leves as mais evidentes como, desgaste severo dos dentes, problemas temporomandibulares (ATM), etc.

A principal causa do bruxismo está relacionada a fatores emocionais e normalmente se desenvolve em pessoas que são submetidas a um grau maior e contínuo de stress, pessoas com depressão, que passaram por situações traumáticas, entre outras.

As consequências são diversas, desgastes dos dentes, cefaleias (dores de cabeça), dor na musculatura da região, estalos na articulação temporomandibular (ATM) devido a força exercida pelo apertamento, podendo chegar a uma maloclusão dentária como consequência do desgaste dos dentes.

O bruxismo noturno é igualmente encontrado em pessoas de ambos os sexos, diferentemente do bruxismo diurno que é encontrado mais comumente em mulheres. Este hábito parafuncional envolve movimentos rítmicos similares aos movimentos de mastigação, com longos períodos de contração dos músculos mandibulares, podendo gerar dor e fadiga muscular.

A maioria das pessoas só busca ajuda odontológica / médica quando exposta as consequências do bruxismo, na maior parte das vezes, por desconhecer, não relaciona os efeitos com as causas. Não existe um único tratamento para o bruxismo e um erro muito comum é tratar os efeitos sem que as causas sejam tratadas, por exemplo, um paciente que chega ao consultório com desgaste severo dos dentes e é diagnosticado com bruxismo secundário (ligado a outras condições médicas), o tratamento dos efeitos (desgaste dental), se feito sem que a causa do bruxismo seja tratada, expõe o paciente a uma reincidência nos efeitos (desgaste dental) assim como a novos problemas já que a causa persistirá.

Após avaliação clínica pelo Cirurgiã-dentista, quando identificado o bruxismo, inicia-se o tratamento conjunto em que são tratadas as causas e os efeitos, as causas podem ser tratadas com acompanhamento psicológico ou psiquiátrico tendo a finalidade de atenuar ou eliminar a causa emocional que leva o paciente a ter esse “distúrbio”, a utilização de fármacos específicos como ansiolíticos, relaxantes musculares também são indicados, assim como a utilização de placas miorrelaxantes confeccionadas em acrílico e que durante o apertamento evitam que a força gerada pela “mastigação” não comprometam estruturas dentárias e/ou musculatura e sim, exercem a função de relaxamento.

Importante salientar que, de nada adianta o tratamento dos efeitos sem que as causas sejam tratadas, o tratamento equivocado pode não resolver o problema e, além disso, agravá-lo. Um bom exemplo de tratamento equivocado são placas mal elaboradas, não respeitando a correta oclusão do paciente e/ou confeccionadas em materiais inadequados.